sexta-feira, 13 de junho de 2008

"O seresteiro de Caissa emudeceu" por Ronald Câmara

Há 20 anos atrás o xadrez cearense perdeu Chico Alves, infelizmente não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Para o Memorial Chico Alves deste ano prometi a Edmar Monte que encontraria um artigo de Ronald Câmara no jornal O POVO sobre este ícone do nosso esporte. Infelizmente não encontrei a tempo, mas esta semana revirando tudo lá em casa acabei achando e publico agora o artigo na integra , único na internet, para deleite dos que sabem apreciar a nossa história :

Fortaleza, Ceará - Domingo, 23 de outubro de 1988 por Ronald Câmara

Em Fortaleza, na última quarta-feira, na véspera de completar 58 anos de idade, faleceu Francisco Alves dos Santos. Uma das maiores glórias do enxadrismo cearense de todos os tempos, ele constituiu um valioso legado com suas notáveis façanhas nas lides do tabuleiro e foi também um admirável exemplo de dedicação à arte de Caissa.

Durante cerca de 40 anos, Chico Alves participou das mais diversas competições nacionais, alcançando triunfos marcantes e, desta maneira, conquistando um lugar de honra para o xadrez cearense no cenário brasileiro. Por nove vezes, ostentou o título estadual e, em 1964, arrebatou brilhantemente em Recife, o troféu de campeão do Norte e Nordeste. O seu maior feito porém, ocorreu em 1961, quando se sagrou em Vitória vice-campeão do Brasil e, por causa disso, ingressou no rol dos mestres nacionais.

A sua atuação atravessou fronteiras e, em 1971, integrou a equipe brasileira que se classificou em 3o. lugar noCampeonato Pan-americano realizado na cidade argentina de Tucuman; no ano seguinte, alcançou a sua maior glória, compondo o sexteto que representou o Brasil na Olimpíada de Skopje, na Iugoslávia.

Jovial, comunicativo e sempre muito bem-humorado, Chico Alves não fez do xadrez uma luta, mas sim um instrumento de realização pessoal e um meio de granjear amizades, tornando-se uma figura queridae popular em todos os quadrantes do Pais.

Por ocasião de seu cinquentenário, em 1980, fizemos uma reportagem intitulada "Chico Alves - O seresteiro de Caissa", quando tivemos a oportunidade de ressaltar as mais diversas facetas de sua fascinante personalidade, merecendo ser repoduzida a seu espeito a apreciação feita então, pelo mestre internacional Helder Câmara: "Um campeonato brasileiro sem a presença de Chico Alves, perde muito de seu encanto, pois ele encarna o verdadeiro desportista: modesto nas vitórias e estóico nos reveses, aceitando com altivez e sobranceiria todos os resultados".

Há dois anos, ele fez as suas despedidas dos campeonatos nacionais, participando em Garanhuns do 53o. Campeonato do Brasil. Naquele ensejo, Chico alves confirmou a assertiva de quem foi rei nunca perde a majestade, obtendo uma lisonjeira classificação e, o que é mais importante, mostrando que ainda era capaz de sobrepujar os novos valores. Uma prova disso é a partida que transcrevemos a seguir na qual o jovem mestre gaúcho Aron Corrêa - que em 1987 se sagrou campeão do aberto do Brasil - teve de se curvar diante dos méritos do "veterano mestre cearense".

53o. Campeonato do Brasil
Garanhuns, 18 setembro de 1986
Aron Corrêa x Francisco Alves
PD-Holandesa (ECO A 87)
1.c4 f5 2.Cc3 Cf6 3.e4 fxe4 4.d3 exd3 5.Bxd3 d6 6.Bg5 Cbd7 7.Dc2 Ce5 8.Be2 g6 9.f4 Bf5 10.Db3 Cf7 11.Bxf6 exf6 12.Dxb7 Tb8 13.Dxa7 Bh6! 14.De3+ Rf8 15.g4 Bd7 16.Ch3 Txb2 17.0-0 Bg7 18.Tab1 Txb1 19.Tb1 f5 20.Cd5 c5! 21.Da3 Bd4+ 22.Rg2 fxg4 23.Cg5 Cxg5 24.fxg5 Rg7 25.Tb7 Tf8 26.Bxg4 Dxg5! 27.Txd7+ Rh8 28.Dg3 Dd2+ 29.Rh3 Be5! 30.Dg1 Tf2 31.Td8+ Rg7 32.Td7+ Rh6 33.Be2 Txe2! (0-1)

Um comentário:

  1. Prezado Brandão,

    Que bom que você fez essa homenagem ao Chico Alves. Tive a oportunidade e felicidade de conhecê-lo no saudoso Clube de Xadrez do Ceará na década de 80. Era um ser humano extraordinário!

    Parabéns!

    Fabiano.

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