quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Peruadas de Portugal: Finais (I)

Há vários anos, um enxadrista português que conversava com outros companheiros dos 64 quadrados disse: “Agora só estudo finais!”

Alguém com mais coragem disse: “Para quê cara? Tu nunca chega no final!”

O pensamento de muitos enxadristas que se maravilham com o estudo de variantes e mais variantes de aberturas, temas táticos, estratégia, quando se fala nos finais dizem não ter paciência para estudar, toma muito tempo… aí num torneio chegam num final ganho e não conseguem mais que o empate, chegam num final de empate e “conseguem” perder.

Eu não tenho um domínio perfeito dos finais, mas tem o básico que qualquer enxadrista deve saber. Na minha experiência de vários anos jogando torneios, observei as dificuldades que alguns enxadristas têm em dominar a técnica dos finais (e não falo apenas de enxadristas com rating baixo, tem alguns bem fortes que deviam saber mais do que mostram). Por isso decidi escrever de uma forma simples algumas considerações sobre o tema, esperando que isso represente um contributo positivo para a comunidade de leitores.

Vou começar pelos finais de torre mais elementares pois são dos que muitas vezes temos de enfrentar e onde existem posições básicas que, ou você sabe ou não sabe. Não adianta tentar descobrir a pólvora quando já alguém a descobriu!

Torre e peão contra torre 

Vamos dividir este final em duas partes: (I) O rei defensor controla a casa de coroação do peão e (II) O rei defensor não controla a casa de coroação do peão.

(I) O rei defensor controla a casa de coroação do peão

No caso em que o rei defensor controla a casa de coroação não é possível ao lado mais forte ganhar a partida, qualquer que seja o peão.


Neste caso, se jogam as negras forçam o empate de imediato com 1. …, Ta6 impedindo o rei branco de chegar à 6ª linha (este é o método defensivo mais simples); 2. e6; Ta1 pois se agora as brancas jogarem Rf6 a torre negra tem o xeque em f1 que impede as brancas de progredir na posição.

Se forem as brancas as jogar é um pouco mais complicado: 1. Rf6 (agora já não serve Ta6+ devido a 2. e6 ameaçando mate e se as negras jogarem 2. …; Ta8, decide 3. Th7); 1. …; Te1 (este é de novo o melhor método de defesa) 2. Re6 ameaçando mate e obrigando as negras a ceder a casa de coroação… 2. …; Rf8



(II) O rei defensor não controla a casa de coroação do peão

Chegamos a um momento em que o rei defensor é obrigado a abandonar a casa de coroação devido à ameaça de mate. Aqui há duas regras obrigatórias para conseguir o empate:
1)      Quando o rei defensor tem de abandonar a casa de coroação deve jogar para o lado mais curto do tabuleiro;
2)      A Torre deve estar o mais longe possível do peão adversário (lado mais longo do tabuleiro) para que os xeques sejam eficazes.

No exemplo acima, depois de 2. …; Rf8 segue 3. Tb8+; Rg7 4. Te8 (para poder avançar o peão já que depois de 4. Rd6; Rf7 o peão não pode avançar e se 5. Tb7+, Rf8 6. Re6, Te2 as negras não enfrentam qualquer problema), mas com 4. …; Ta1! (a Torre no lado mais longo do tabuleiro) as brancas não encontram nenhum esconderijo eficaz contra os xeques (5. Rd7; Ta7+, etc.) e se 5.Td8 as negras jogam 5. …; Te1 impedindo o peão de avançar.

Na próxima semana em Finais (II) vamos mostrar mais alguns exemplos que justificam a utilização destas regras.




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